SaúdeTodasPara combater o preconceito jovem tupãense cria canal do YouTube pra explicar a Síndrome de Tourette

Jornal Diário Tupã Jornal Diário Tupã20 de fevereiro de 2019
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A melhor forma de combater a ignorância é por meio do conhecimento. Mesmo com o avanço tecnológico e da informação, muitas pessoas ainda desconhecem o surgimento de novas doenças ou síndromes. Sem saber lidar com elas, ou com quem as possui, a desinformação se torna aliada do preconceito, que pode causar efeitos irreparáveis na vida dessas pessoas.

Para combater o preconceito e a desinformação das pessoas, o jovem Bruno Tagava dos Santos, de 23 anos, criou um canal no youtube para explicar a Síndrome de Tourette.

Santos descobriu que possui a síndrome aos 12 anos de idade, após enfrentar problemas na escola. “Desde criança, eu tenho essa síndrome, mas não sabia. As pessoas me ‘zoavam’ muito na escola por causa disso. Até a professora zombava de mim. Uma vez, a diretora chamou meus pais e disse que o que eu tinha era involuntário e pediu para nós procurarmos um médico, que me diagnosticou com a síndrome”, afirmou. 

Bruno foi diagnosticado com a síndrome de Tourette aos 12 anos por um médico neurologista na cidade de Marília. “E não há cura para essa síndrome”, explicou. Por ser acometido da síndrome de Tourette, o jovem emite sons involuntários, muitas vezes sem perceber. “Já sofri muito bullying e muito preconceito com isso”, disse. 

Santos explicou que estava triste por causa do preconceito das pessoas, até que resolveu criar seu canal no youtube para explicar a síndrome e o dia a dia de quem vive com ela. “Agora, tenho a oportunidade de poder explicar melhor a síndrome para um número maior de pessoas que não a conhecem. A síndrome de Tourette não tem cura, mas podemos conviver com ela, e com menos preconceito das pessoas que a conhecem”, salientou. “As pessoas muitas vezes não têm a mínima noção do que eu passo por causa disso. É muito ruim ser zombado por algo que não tem cura.  Mas fiz esse canal para ajudar outras pessoas que acabam entrando em depressão por causa disso”, acrescentou.

Segundo o youtuber, muitas pessoas passaram a conhecer a doença por meio de seus vídeos na internet. 
No canal, o jovem conta sobre sua história, suas experiências com a síndrome e como é conviver com ela. “Criei esse canal para mostrar para as pessoas que têm essa síndrome, que deixam de ir a um local que tenha silêncio, por causa do som ínvoluntário. Quero que as pessoas não tenham vergonha por terem essa síndrome e vivam uma vida normal”, afirmou.

Santos destacou que ainda encontra dificuldade para frequentar locais, com reunião de público, como igrejas, bares, restaurantes e locais em que se exige silêncio. “Não posso ir a uma academia, pois eu emito esses sons e as pessoas pensam que eu estou brincando ou tirando sarro. Para mim, fica difícil explicar essa síndrome para cada pessoa. Foi por isso que eu criei o canal”, salientou.

Bruno Tagava dos Santos é casado há cerca de dois anos e possui uma filha de cinco meses. Ele disse que encontrou dificuldades para iniciar seu relacio-namento. “Minha mulher no começo estranhou e já ficou assustada no começo do nosso relacionamento. Até que ela reconheceu a minha síndrome. Ela foi uma pessoa que me abraçou, nunca me desrespeitou e nunca me humilhou por causa disso”, afirmou.

Santos explicou que sua síndrome não atrapalha suas atividades diárias, como seu trabalho, por exemplo. “Faço minhas tarefas, tenho meu lazer que é andar de skate e tenho o meu trabalho. Mas muitas pessoas me achavam estranho pelos sons que eu fazia. Mas foi minha esposa que abriu os braços e me aceitou do jeito que eu sou”, ressaltou.

O jovem já trabalhou em dois supermercados da cidade, como empacotador. “Quando empacotava as compras, as pessoas me olhavam estranho. Acabei sendo mandado embora por causa disso”, disse. “Não conseguia explicar que tinha essa síndrome”, acrescentou.

Santos iniciou seus estudos na faculdade, mas não conseguiu concluir o curso por causa do preconceito de alunos. “Estudei lá por pouco mais de dois anos. Mas comecei a sofrer muito bullying e acabei nem terminando a faculdade. Fui atrás de um outro emprego em um posto de combustíveis, onde trabalho como lavador de carros. Lá eles me abraçaram e eles me ajudam muito”, acentuou.

Santos disse que muitas pessoas já tentaram agredi-lo, por causa dos sons involuntários que emite, ao confundir sua síndrome com algum tipo de zombaria. “Sem a pessoa entender, eu tentava explicar, mas a pessoa ignorante queria ainda brigar. Já passei por muita coisa triste. A síndrome não tem cura, mas se as pessoas se abrirem e não tiverem vergonha, poderão viver de forma mais tranquila. As pessoas vão pensar antes de magoar alguém”, destacou.
Para conferir os vídeos postados em seu canal no youtube, basta acessar “Bruno Tagava”.

Síndrome de Tourette

Síndrome de Tourette é um distúrbio neurológico que caracteriza-se pela presença de tiques motores e vocais. Os sintomas normalmente aparecem na infância, entre 2 e 15 anos de idade, e vão se tornando menos intensos ao longo do tempo. A Síndrome de Tourette não tem uma causa bem definida, mas acredita-se que esteja relacionada com fatores genéticos.

A criança com Síndrome de Tourette apresenta diversos tiques motores e fônicos involuntários. Os tiques motores podem incluir: movimentos repentinos de ombros, cabeça ou de todo o corpo, piscar ou virar os olhos, fazer caretas ou gestos obscenos, repetir gestos, tocar repetidamente em coisas, bater com os dedos, cheirar objetos ou ainda ligar e desligar a luz repetidamente.

Já os tiques vocais consistem na emisão de sons, ruídos, palavras ou expressões involuntariamente, como tossir ou pigarrear repetidamente, grunhir, fungar, gritar, rir, repetir palavras, repetir uma palavra ou frase aumentando a rapidez, pronunciar palavras obscenas.

Os sintomas da Síndrome de Tourette são marcados por fases em que ora estão mais intensos, ora desaparecem. Além disso, os sintomas mudam com o tempo e por volta dos 18 anos eles desaparecem espontaneamente em praticamente metade dos casos.

Algumas crianças conseguem suprimir os tiques durante alguns segundos ou por um tempo mais prolongado. Porém, depois desse período em que foram suprimidos, os tiques podem eclodir com mais intensidade que o normal.
Pacientes com Síndrome de Tourette muitas vezes também apresentam déficit de atenção e hiperatividade, transtorno obsessivo compulsivo e outros problemas de comportamento. Em cerca de metade dos casos também são observados distúrbios do sono, como bruxismo, sonambulismo, insônia, pesadelos e enurese (urinar na cama).

A criança com suspeita de ter Síndrome de Tourette deve ser avaliada por um médico pedopsiquiatra, que é o responsável pelo diagnóstico e tratamento do distúrbio.





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