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Mariane Mariane2 de outubro de 2018
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Cresce o número de bebês nascidos mortos em Tupã. Família de um dos bebês entra na Justiça para apuração do caso. 

O número de bebês nascidos mortos, em Tupã, aumentou 6,74% na última década, em relação à década anterior.
Segundo os dados da Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análises de Dados), 89 bebês nasceram mortos em Tupã entre os anos de 1997 a 2006. Entre os anos de 2007 a 2016, 95 bebês nasceram mortos em Tupã. 
O último caso em Tupã ocorreu na semana passada, com a morte de uma bebê de aproximadamente 36 semanas de gestação.
A dona de casa Daliane Simone Neto da Silva, 29 anos, planejou sua gravidez. Deixou de tomar anticoncepcional e, no decorrer de sete meses, estava grávida de sua segunda filha. “Comprei o teste, deu positivo. Com cinco dias, já sabia que estava grávida”, disse.
Ao confirmar a gravidez, Daliane começou a preparar sua casa para chegada da sua filha mais nova: Maria Helena.
Seu marido, que trabalha no setor de móveis, preparou a mobília do quarto, fez a cama, as estantes e o guarda-roupa. A filha de nove anos do casal também esperava feliz a chegada da nova irmãzinha. Para acompanhar sua gravidez, Daliane não faltou um dia sequer nas consultas do pré-natal.
No dia 17 de setembro, Daliane sentiu dores nas costas e percebeu que sua filha não estava chutando sua barriga, como de costume, e procurou atendimento na Santa Casa de Tupã. “A enfermeira ouviu os batimentos e disse que estava normal”, afirmou Daliane.
De acordo com a mãe, a enfermeira explicou que a bebê não estaria mexendo porque já estava grande, faltando espaço dentro da barriga. “A enfermeira disse para eu ir embora. Disse para eu não estranhar, pois como a bebê estava para nascer, não tinha mais espaço para chutar e disse que isso era normal”, explicou.
A orientação da enfermeira, segundo Daliane, era para descansar e dormir em uma cadeira de área, com almofadas até o momento do parto. “Eu fui para casa. Passou terça e quarta e continuou tudo do mesmo jeito”, disse.
Daliane acordou na quinta-feira de manhã, dia 20, com um sangramento e pensou que fosse o momento do parto. “Peguei a minha bolsa que já estava pronta. Minha outra filha e meu marido saíram com pressa de casa esperando a chegada da bebê. Passei na casa da minha mãe e fomos para o hospital”, destacou.
Ao chegar no hospital, a enfermeira da maternidade tentou detectar os batimentos cardíacos da bebê, mas não os ouviu. “Havia alguma coisa errada”, destacou a mãe.
Após uma hora e meia, Daliane foi encaminhada para exame de ultrassonografia e, após o atendimento, foi informada de que não havia mais batimento cardíaco da bebê. “Entrei em estado de choque e comecei a gritar. Me apavorei e entrei em pânico. Não queria aceitar. Fiquei sentada com a minha mãe chorando. Minha mãe se ajoelhou no meio das minhas pernas e ficou chorando”, lembrou a mãe.
Em instantes, Daliane foi encaminhada para realizar parto normal, para expelir a bebê. A médica introduziu um medicamento em Daliane para acelerar o parto. “Eu não sentia mais dor, nem nada. Quando foi à tarde começou a vazar sangue, o que não era normal”, destacou.
Nesse momento, a mãe de Daliane, Ione Alves Neto, de 50 anos, chamou uma médica e pediu para analisar o caso da sua filha que era preocupante. “Ela olhou e disse que ia me levar para fazer uma cesária”, disse.
Em seguida, Daliane teve uma parada cardio-respiratória e começou a vomitar. “O enfermeiro gritava para virar minha cabeça para não entrar em meus pulmões. Pensei que fosse morrer e tive outra parada cardiorespiratória”, disse.
Após concluir o parto, o corpo de Maria Helena foi entregue à sua mãe, por dois minutos. “Me levaram para o quarto onde estava a minha família. Meu marido pegou a bebê no colo e a enfermeira mandou ele tomar vergonha, calar a boca e parar de chorar. Para ela, era apenas um feto, mas para nós era a nossa filha”, ressaltou.
Daliane foi encaminhada para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e, por volta das 2h30 min, teve outra parada cardiorespiratória. “De manhã, me levaram para tomar banho sentada na cadeira e eu desmaiei. O médico tentava me acordar e me perguntava se eu sabia onde estava”, afirmou. “O médico disse um em um milhão de casos acontece isso, e a mãe também não sobrevive”, completou.
Daliane  foi encaminhada para um quarto particular. “Lá eu só chorava ouvindo o choro de outros bebês nascendo. O médico não queria dar alta, as minhas plaquetas estavam baixas e tomei seis bolsas de sangue”, lembrou.
Daliane teve alta do hospital no dia 25 de setembro e o velório de sua filha aconteceu no dia 21 de setembro, no Memorial Municipal.
Hoje Daliane está na casa de sua mãe e agradece o apoio da família. “Graças a Deus tenho minha família que me dá força. Só Deus sabe o quanto essa minha filha foi planejada. O quarto da minha filha está pronto e não tenho forças para ir para a minha casa. Peço muita força para Deus me ajudar”, disse.

Avó
A mãe de Daliane, Ione Alves Neto, de 50 anos,  disse que ao chegar com a sua filha no hospital a enfermeira não fez o uso de cardiotoco (equipamento utilizado para avaliar o bem estar fetal). “Naquele dia, nenhum médico atendeu a minha filha e mandou vir embora para casa”, afirmou.
Ao retornar para a Santa Casa e passar pelo parto normal, Ione disse que sua filha estava “sem cor” devido a perda de sangue. “Com medo de acontecer algo pior, chamei a médica e, quando ela olhou a minha filha, levou ela para o centro cirúrgico para fazer a cesária. Depois de uma hora, eles nos entregaram a bebê”, salientou. “Após  umas três horas, ela desceu do centro cirúrgico, viu a nenê e foi para a UTI, onde  teve as paradas cardiorespiratórias e desmaio”, completou.
No dia 23, domingo à tarde, Daliane teve alta da UTI e, no dia 25, teve alta do hospital. 

Boletim de ocorrência
A família fez um boletim de ocorrência contra a Santa Casa de Tupã. A mãe foi informada por uma médica que, para tirar a bebê do hospital, deveria ser feito esse procedimento, mesmo que sofrido para a família. “Ela ainda me disse que aqui em Tupã não tinha IML para atender criança, e que só em Marília dava para fazer a autópsia na nenê”, afirmou. “Ela aconselhou a não fazer um velório, mas a chamar a funerária e, no outro dia, retirar a nenê do hospital e alguém enterrar. Eu não concordei com o que elas falaram”, ressaltou.
A avó disse que preferiu buscar a justiça para ter esclarecimentos sobre os procedimentos médicos. “Fiz o velório da nenê no outro dia, enquanto a Daliane permaneceu internada na UTI”, disse.
O corpo de Maria Helena foi encaminhado para autópsia no IML (Instituto Médico Legal) de Tupã. “ A médica (obstetra/ginecologista) pediu para a delegada a placenta e o natimorto”, afirmou Ione. O processo tramita na Justiça.
Para Ione, assim que sua filha deu entrada no hospital no dia 17, a equipe de enfermagem deveria verificar a pressão, realizar exame com o cardiotoco e chamar um médico para analisar o caso. “Tinha que fazer exame com o cardiotoco na minha filha, que saberia a frequência da nenê. A enfermeira disse que não teria espaço para mexer, depois nos falaram que tínhamos que saber que a nenê estava morta”, explicou.
No último sábado, Daliane estava na casa de sua mãe, no Conjunto Habitacional “Antônio Pereira Gaspar”, onde recebia o conforto de seu marido, irmão, mãe, filha, familiares e amigos que ainda estão abalados com o acontecimento.

Outro lado
O administrador da Santa Casa, Laércio Garcia, disse que o hospital fez o relatório médico, encaminhou o caso para a ouvidoria e realizou o atendimento normal à gestante. “As duas vezes que ela veio à Santa Casa, recebeu atendimento médico, mas a criança chegou sem vida”, disse. O hospital não informou se houve eventuais erros médicos no atendimento oferecido à gestante.

Fonte: Jornal Diário de Tupã

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