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Mais Tupã Mais Tupã23 de novembro de 2017
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Pacientes que dependem de ambulâncias da Prefeitura Municipal relatam o sofrimento que passam com a frota sucateada. Tivemos que colocar óleo no motor 4 vezes de Tupã a São Paulo, relatou um paciente. 

A precariedade do transporte de pacientes oferecido pela Prefeitura de Tupã, gerou revolta dos usuários que agendaram para amanhã, dia 24, sexta-feira, a partir das 20 horas, na Câmara Municipal, uma reunião para tratar sobre o tema.
A paciente Nobuko Shiguihara, de 77 anos, disse que a reunião foi convocada para os pacientes apresentarem os problemas enfrentados nas viagens para tratamento e buscar soluções. “O serviço é deficitário e não temos um transporte adequado. O transporte já está ultrapassado, os prefeitos não têm acompanhado isso”, afirmou.
Nobuko disse que, normalmente, o transporte para São Paulo é realizado com seis a oito pacientes, em um único veículo. “Enquanto isso há ônibus da educação com apenas quatro alunos. Até cachorros são mais bem tratados do que nós, pacientes”, destacou.
Há seis anos, Nobuko luta contra um câncer e já passou por quatro cirurgias, a última realizada no mês de agosto. O diagnóstico pós-cirúrgico foi positivo, mas a doença retornou. Nobuko precisou fazer um novo tratamento na cidade de São Paulo e, para chegar ao hospital, depende de auxílio da prefeitura. “Em uma das viagens, tive que ir acomodada em uma tábua, que foi colocada em cima das cadeiras”, disse. “A compra de veículos não é um presente que estamos ganhando. Temos o direito de sermos conduzidos de uma forma adequada. Eu não tenho o pensamento de que ‘está ruim, mas está bom’. Aguentamos algumas situações porque temos um objetivo maior, que é o nosso tratamento. Mas não que concorde com essa situação”, explicou.
Nobuko disse que os pacientes não esperam promessas, mas soluções efetivas para solução dos problemas que atingem o setor da saúde. “Eu não sei até que ponto os vereadores atuais estariam interessados. Estamos dependendo muito de emendas parlamentares”. 

Ambulâncias
Segundo Nobuko, as ambulâncias disponibilizadas pela prefeitura não são adequadas para deficientes e nem para os acompanhantes. “O brasileiro tem mais de 1,70 metro e muitos são obesos. Muitos têm que se conformar com essa situação. No caso do meu filho, ele teve que viajar sentado de lado, batendo muitas vezes a cabeça no teto por falta de espaço”, afirmou.
Há ambulâncias que possuem apenas uma janela e uma pequena canola para entrada de ar. A paciente disse que essa estrutura não é ideal para transportar os pacientes. “Eu me senti dentro de um ‘camburão’ de presidiário. Talvez os presidiários sejam transportados melhor do que nós”, opinou. 
Nobuko disse estar indignada da forma como as prefeituras tratam os pacientes. “Eles dizem que estão investindo, mas não estão”, enfatizou.
A paciente ressaltou que já viajou para São Paulo em ambulância com goteira, com pedaço de madeira utilizada para fechar a janela, bancos sem encosto para cabeça, bancos com saliência nas costas, fora os veículos que já quebraram no meio do caminho. “Viramos motivo de chacota entre outras cidades. Certa vez um motorista disse que não íamos mais passar vergonha, porque a ambulância tinha sido pintada. Mas por dentro continuava estragada”, salientou. 
O filho de Nobuko destacou que, durante uma viagem a São Paulo, o motorista teve que fazer quatro trocas de óleo do veículo. “Cidades menores que Tupã possuem ambulâncias bem melhores do que nós, algumas inclusive com ar-condicionado”, destacou.
O filho de Nobuko enfatizou ainda o “sucateamento” das ambulâncias que, segundo ele, não possuem nenhuma estrutura para transportar os pacientes. “O transporte para os pacientes de Tupã é uma vergonha. Ainda por cima, quando não há casa de apoio no município, eles nos mandam procurar lugar para ficar, mesmo sem conhecer aquela cidade”, ressaltou. “Sem contar a diária, que não dá pra fazer nada em São Paulo”, completou.

Diárias
A paciente destacou o descaso com os pacientes em relação às diárias pagas pela prefeitura. Ela explicou, inclusive, que o pagamento do “benefício” é realizado de forma errada. “Você sai em um dia e volta no outro, eles pagam apenas uma diária. Isso não é diária. Eles pedem a nota do que gastou. Acho que não tem a necessidade disso, apresentar  apenas o comprovante do hospital já é suficiente”, afirmou Nobuko, que salientou ainda que a portaria nº 55 de 24 de fevereiro de 1999, sobre o TFD (Tratamento Fora do Domicílio) não é bem executada pela prefeitura.

Grupo de apoio
Nobuko disse que um grupo de apoio será formado em Tupã, para ampliar a representatividade dos pacientes com câncer, que precisam de transporte. “Queremos saber quais vereadores estão interessados em colaborar conosco, em busca de emendas parlamentares. Não queremos promessas, mas fatos reais”, concluiu.

Vereador
O vereador Valter Moreno Panhossi (DEM) aprovou o fato do grupo se reunir amanhã na Câmara Municipal em busca de melhorias. “A diária de R$ 20,00 é um absurdo. Se para nós que não somos doentes já é difícil uma viagem para São Paulo, imagina para os pacientes que estão doentes e sentem muita dor”, afirmou. “Essa é uma reivindicação justa dos pacientes. O prefeito disse que vai comprar um veículo novo. Mas eles têm que se mobilizar e pedir aquilo que precisam”, completou.

Outro lado
Em ofício encaminhado à Câmara Municipal, o secretário Municipal de Saúde, Laércio Garcia, explicou que em relação “à aquisição de novos veículos para melhoria do transporte, já existem emendas parlamentares em andamento”.
Sobre o aumento do valor das diárias concedidas aos pacientes, o secretário ressaltou que essa possibilidade já foi verificada, “mas no momento não há recursos financeiros” para execução dessa medida.

Jornal Diário 





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