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Mais Tupã Mais Tupã9 de maio de 2017
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Lula e Sérgio Moro: política e justiça – lógicas distintas.

Rodrigo Augusto Prando

O famigerado depoimento de Lula para o Juiz Sérgio Moro está agendado para quarta-feira, dia 10/05, na oportunidade será questionado sobre o recebimento de suposto benefício, ao arrepio da lei, de um tríplex, no Guarujá, da empreiteira OAS. Até o momento não se sabe se tal fato se concretizará, visto que a defesa de Lula solicitou a suspensão do processo em voga alegando a impossibilidade de analisar toda a documentação anexada ao processo, cerca de 100 mil páginas.

À despeito do depoimento se confirmar até quarta-feira (10/05), fomos, em maior ou menor grau, contaminados por uma pobreza de entendimento do que ocorre no caso em tela. As construções explicativas imprimem uma contenda maniqueísta, do bem contra o mal, transfigurando o político e o juiz federal em boxeadores, lutadores, super-heróis, como pode ser visualizado nas capas das principais revistas do país, no último final de semana. Aos aliados e apoiadores de Lula, Moro encarna o mal, um implacável perseguidor de Lula e, ainda, capaz de criminalizar partidos e movimentos sociais. Portanto, Lula é o protagonista do bem. Aos que são contrários a Lula e, por isso, apoiadores da Operação Lava Jato e de Moro, Lula e seus acólitos representam o que há de mais nefasto na política brasileira, criminosos e o mal a ser combatido em todos os espaços. Infelizmente, essa leitura da realidade carece de melhor compreensão das lógicas que estão na arena: a da política e a da justiça. No limite, o ódio gerado nestas duas posições antagônicas é prejudicial à política, à justiça e à democracia. Lula tem uma biografia que, por si só, já o coloca na condição de um político singular. Seus governos foram, quer se queira ou não, marcados pela diminuição da miséria, da pobreza e do aumento da classe média. Negar isso é desconhecer os fatos. Há, claro, as críticas que indicam que os ganhos foram, já, perdidos numa crise econômica com DNA claro do lulopetismo. É assim mesmo: nenhum governo traz só erros e só acertos. Na seara pública, na vida política, na lógica, por assim dizer, da política, Lula é detentor de carisma, de um poder de comunicação e de uma inteligência poucas vezes encontrado na política brasileira. Assim, a conjugação de sua biografia, seu carisma e os feitos de seu governo lhe garantem um capital político respeitável. Seu recall é altíssimo e isso se concretiza nos números de recente pesquisa de intenção de voto para as eleições de 2018. Para se ter uma ideia, houve sete eleições desde o fim do Regime Militar, Lula disputou cinco vezes, perdeu três e ganhou duas. Contudo, nos processos em que Lula é investigado e nos que já se tornou réu, a justiça transita numa outra lógica. Se, na política, com carisma, Lula é “craque em campo”; no que se refere à justiça, suas falas e posição é de apreensão, de constante tentativa de trazer para o campo político o que está no campo judicial. Para os procuradores do Ministério Público Federal, as evidências de envolvimento de Lula em atos criminosos são robustas, numa investigação que já dura mais de três anos. A lógica da investigação está nos fatos, nas evidências, nas provas e não na versão que se conta dos fatos.  As narrativas assentadas em argumentos que buscam criticar a juventude (e pouca experiência) dos procuradores e que há uma conspiração para perseguir Lula e o PT são desmontadas à marretadas nas delações premiadas que, cada vez mais, colocam, sim, Lula, na centralidade dos fatos narrados.

Numa cultura política cujo o fulcro é, ainda, infelizmente, personalista. Em que as relações pessoais se sobressaem às relações impessoais e formais, vamos, claramente, colocando a ênfase nas pessoas (Lula X Moro) e não nas instituições e na normalidade que coloca todos, numa república, em patamar de igualdade perante a lei. Lula, há muito, foi mitificado, tornado herói; hoje, com Moro, ocorre o mesmo: o novo herói luta contra o herói que se tornou vilão. Empobrece, como afirmei, a compreensão do quadro em tela.

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