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Mais Tupã Mais Tupã23 de janeiro de 2017
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Quão curioso você é?

Curiosidade sempre foi um traço marcante na minha personalidade. Sou do tipo de pessoa que, se entrar em uma usina nuclear e ver um botão vermelho sem identificação e ninguém se opuser à minha ação, vou apertá-lo para ver o que acontece. Vai dar ruim (para não dizer outra coisa), eu sei, mas vou apertá-lo. Talvez por isso me identifico tanto com a cultura corporativa japonesa dos 5 S’s onde tudo deve ser identificado, explícito, mostrando sua funcionalidade.

Se eu acho ruim esta característica? Não. Acho até mesmo engraçado. Isso ajuda bastante no meu desenvolvimento. Sou curioso desde criança. Pergunto mesmo. Se não souberem responder vou pesquisar. Vivia enfurnado na biblioteca nos tempos de colégio e da faculdade. Não tenho vergonha de não saber. Tenho vergonha de continuar não sabendo. É questão de oportunidade.Quando temos a oportunidade de adquirir um conhecimento e não buscamos respostas naquele momento ou na sequência, pronto, perdemos a chance de sermos menos ignorantes. O conhecimento nos posiciona entre os demais. A ignorância nos cega.

Recentemente li um artigo[1]naHavard Business Review Brasilsobre uma nova metodologia de busca de executivos desenvolvida por uma consultoria global chamada EgonZehndere achei interessante. Neste artigo a consultoria EgonZehnder considera a curiosidade como um dos pilares do seu novo modelo de avaliação de candidatos. Colocam a curiosidade como o “impulso de buscar novas ideias e experiências” e mais do que isso, determina a “sede por novas experiências e conhecimento, abertura para o feedback, aprendizagem e mudança”. Trata-se de um modelo revolucionário? Talvez sim. Mas para isso devemos considerar alguns aspectos da nossa cultura,o jeitinho brasileiro de ser e administrar uma empresa.

Quando se fala de curiosidade em um ambiente corporativo assim, em um artigo de revista, chega a ser interessante e muito prático. Mas vamos levar para a prática, para o chão de fábrica ou para o chão de escritórios, de grandes e pequenas empresas.

Grandes empresas podem até curtirem esse assunto, principalmente porque alguém do conselho pode ter lido este mesmo artigo, visto que é bom, e replicado para seus líderes valorizarem, desde já, a curiosidade. Aí chega a primeira situação, onde o colaborador, no mais baixo nível hierárquico, questiona um processo, colocando em evidênciaa atitude e o conhecimento do seu líder. Então o ego, sempre ele, aciona um dispositivoneurossensorial chamado “armadura corporativa” e o líder passa a operar no modo “defesa”, refutando todas as dúvidas e argumentos que levaram o colaborador à sua curiosidade. Quando não, esbraveja ou até mesmo o desrespeitaao se expressar, usando como argumentos sua experiência e os anos à frente do setor ou da sua empresa.É, isso acontece.

Por isso a preparação do líder, neste momento de mudança cultural, é fundamental. E pergunto.Temos líderes preparados para serem questionados por seus subordinados? Repondo de bate-pronto. Nem sempre. Seja em grandes ou pequenas organizações, salvo raríssimas (e digníssimas) exceções, o ego sempre se armará, mesmo que no íntimo de sua essência, e tentará boicotar seu “agressor”. Por isso usei a palavra “refutar”, porque ela quer dizer exatamente isso, combater, contestar. Isso faz parte do processo de mudança ea princípio é um comportamento esperado. Mas reforço. Espera-se que este bloqueioseja rompido com o tempo e com ações eficazes. Por isso procure ajuda de um profissional para os processos de mudanças dentro da uma empresa, seja qual for, vai evitar desperdícios de tempo e derecursos (e idas ao cardiologista).

Votando ao tema, os processos de busca e seleção de profissionais e avaliações aqui no Brasil, são baseados, em sua grande maioria (e as vezes até inconscientemente) em perfis de competência, onde as situações vivenciadas pelo candidato e, principalmente, suas ações diante destas situações pré-determinam uma condição futura. Herança do behaviorismo. Tem dado certo na maioria dos casos mas creio que possamos descobrir soluções mais inteligentesparaestes desafios no futuro.

A nova metodologia da consultoria EgonZehnder coloca uma luz sobre este assunto e nos faz repensar as práticas de recrutamento e seleção de profissionais, até mesmo de avaliações dos recursos humanos nas organizações. Temos avaliado corretamente os profissionais dentro das empresas? Temos reconhecido a busca desses profissionais por novos conhecimentos, seus comportamentos, suas atitudes e principalmente seus resultados? Temos criado condições para que estes profissionais busquem novos conhecimentos e os coloquem em prática? E mais, seus gestores têm buscado também novos conhecimentos ou novos caminhos para as suas organizações, sejam elas grandes ou pequenas? Estesgestores ousam questionar seus processos e buscar novas formas de se fazer ou executar uma determinada tarefa? Estes mesmos gestores buscam novas formas de se relacionar com seus subordinados? Ou melhor, apenas os ouvem?

Neste ponto eu concordo com o autor do artigo e vou além, acrescento a “curiosidade” como o alicerce de várias outras iniciativas dentro da organização, dentre elas os insights, o engajamento e a determinação. Se não ousarmos questionar o presente, viveremos os mesmos resultados do passado. Por isso não concordo com a máxima “jogo que está ganhando não se mexe”. Ao contrário do futebol, que tem cerca de 90 minutos de duração, o ciclo de vida de uma empresa é muito maior e a mudança pode significar a sobrevivência de uma empresa quando as regras ou o contexto do jogo mudam. E mudam, constantemente.

 

 

Bruno Giuseph Zamai, MBA.

Graduado em Administração de Empresas com habilitação em Análise de Sistemas, pela FACCAT, e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas, pela FGV. Desenvolveu sua carreira como Consultor Interno de RH em grandes empresas e atua como Consultor de Resultados com o propósito de alavancar resultados de pequenas e médias empresas através da gestão inteligente de pessoas e processos. Contato: [email protected].

 

[1]http://hbrbr.uol.com.br/o-traco-mais-importante-do-talento-rebelde-a-curiosidade/ – Jan/17.

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